Agora, que o Carro do Sol já passou

Agora, que o Carro do Sol já passou

Fomos convidados pelo Bernardo Souto, ex-ator do Safarka, para assistir a um teatro infantil, num domingo de manhã, no Museu da Marioneta.
Começámos logo mal: chegámos em cima da hora, sentámo-nos em lugares opostos e a cortina que parecia estar à nossa espera, levantou.
Um urso saltitou por ali e a nossa atenção virou-se de imediato para a caraterização da personagem e para a decoração de todo o cenário. Ficámos impressionados com a qualidade dos mesmos e, quando olhámos para o panfleto que nos tinha sido entregue à entrada, reparámos no seguinte: “execução das máscaras pelas turmas do 3º e 4º ano da Escola de Pedro Nunes”- WOW.
Bem sabemos que os professores dão sempre uma ou duas mãozinhas nos trabalhos manuais. Quem não se lembra de dar a prenda do dia do pai em que a nossa parte representava aquela pincelada final acompanhada da nossa impressão digital? 🤔 Ah pois.
Mas aqui era outro nível, não descreditando nenhum dos artistas intervenientes, a Escola Pedro Nunes fez um excelente trabalho! Levando-nos de imediato a pensar: “Ui, vamos já fazer uma parceria com eles para vestir e caraterizar as nossas personagens dos jogos Outdoor do Safarka em Campo de Ourique!”.
Vamos entrar no “Universo Fantástico”, encenado por Nídia Roque, que o escritor Ovídio, nascido no ano de 43 a.C, nos deixou. É o universo mitológico greco-romano onde tentamos perceber como surge o mundo e como o Homem se foi adaptando aos dias de hoje. Fala um pouco de que nada se perde e tudo se transforma, podemos vir a ser transformados em árvores, em pedras, num animal… E com isso, não se morre. Um Universo Fantástico.
 
Agora, que o Carro do Sol já passou, num texto escrito pelo Guilherme Gomes, fala sobre alguns mitos que aparecem no Livro 4 das Metamorfoses, onde a figura principal é o mito de Narciso, interpretado por Bernardo Souto, um menino que acabou de chegar a um lugar fantástico. Existe um Senhor neste lugar, Naso, interpretado por Guilherme Gomes, e um companheiro, Mercúrio interpretado por Fernão Biu, que não diz palavras, mas nós entendemos o que ele diz através da música. Eles os dois estão ali para preservar aquele lugar fantástico.
Neste lugar, existe um lago, uma árvore onde não crescem frutos mas sim Máscaras! 

Também estão neste lugar, Dafne interpretada por Rita Cabaço, e Argo interpretado por João Reixa, ambos figuras mitológicas. 
Este lugar tem o poder de juntar as histórias mitológicas com o universo muito concreto de Narciso. Narciso vai aprender a confrontar-se com o seu destino e com as histórias de todos os outrosm, de forma a não se deixar apaixonar pela sua própria imagem, e assim, não morrendo no lago onde iria matar a sede.
O Teatro da Cidade desafia-se pela primeira vez a pensar num espetáculo para o público mais novo. Este espetáculo, que parte do imaginário clássico — as Metamorfoses, de Ovídio — é sobretudo uma maneira de pensar as referências universais para os mais pequenos e de poder recriar as histórias que nos fascinam na literatura clássica, da qual somos herdeiros.” — Ver mais
 
Horários disponíveis
23 de janeiro, 10H30
24 de janeiro, 10H30
25 de janeiro, 10H30
26 de janeiro, 16H00
27 de janeiro, 11H30
Preços: Crianças: €3,5 | Outros: €5
 
Ficha artística
Texto: Guilherme Gomes // Encenação: Nídia Roque // Interpretação: Bernardo Souto, Fernão Biu, Guilherme Gomes, João Reixa e Rita Cabaço // Música: Fernão Biu // Cenário e Figurinos: Teatro da Cidade com o apoio do Serviço Educativo do Museu da Marioneta — e a execução das máscaras pelas turmas do 3º e 4º ano da Escola de Pedro Nunes // Luz: Rui Seabra // Co-Produção do Museu da Marioneta
 
 

 

Rui Lopes

18.03.2019

teatro

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